Flecha Vermelha  Moscovo – São Petesburgo

Flecha Vermelha Moscovo – São Petesburgo

25 de Setembro, 2017 0 Por Vitor Martins

O Flecha Vermelha ou em russo “Красная стрела”, é um comboio que tem uma história longa e notável. Fez a sua primeira viagem em 1931 e, desde então, tem vindo a percorrer diariamente, sem interrupção (se exceptuarmos o período de 1941 a 1943), a Oktoberskaya, ou seja, a linha que liga Moscovo a São Petesburgo. Tem saída às 23.55 da estação moscovita Leningradsky Vokzal, ao som da canção ‘Moskva’ de Oleg Gazmanov (https://www.youtube.com/watch?v=Sqru7PH1CFs),e chegada às 7.55 a Moskovsky Vokzal em São Pestesburgo, ao som do ‘Hino à Grande Cidade’, obra de Reinhold Gliére (https://www.youtube.com/watch?v=usHFC_qW7d4).

Entrámos então na estação Leningradsky Vokzal, a estação mais antiga de Moscovo, ela data de 1851 e daqui seguem comboios para todo o país. Tínhamos comboio às 23h55, para oito horas de viagem percorrendo mais de 700kms.

Entrando aqui, a estação não é muito grande e os acessos são simples e acessíveis, só precisamos de saber ler russo..:D

Faltava cerca de uma hora e meia para recuarmos 86 anos na história, fomos jantar e beber um café na estação..

Ficámos à espera que chegasse a hora numa enorme sala de espera, e foi aí que percebemos que estávamos na Rússia… Existem em quase todas as estações e aeroportos cadeiras de relaxamento que fazem massagens, a pagar. Metemos uma moeda e durante alguns minutos podemos relaxar, e foi, o que nós pensámos fazer, só que, na cadeira estava um homem a dormir tranquilamente. Realmente as cadeiras que estavam ao lado vazias eram bem menos confortáveis…

Estava a chegar a hora, entrámos para as linhas, e lá estava o Flecha Vermelha à nossa espera…

Tem dezenas de carruagens, uma extensão enorme, nós ficámos nas carruagens com sofá-cama, a casa-de-banho é partilhada com todas as pessoas da nossa carruagem. Entrar no comboio, com a música de Moscovo em pano de fundo e as hospedeiras vestidas a rigor, é uma sensação única, um recuar no tempo indescritível.

Entrámos então finalmente no nosso quarto..Como podem ver agora é sofá..

Era 0:00, estávamos a arrancar para oito horas de viagem, na nossa cabine tínhamos água, sumos e sandes que a nossa camareira nos tinha deixado. Para além disso, num inglês bastante fluente, explicou-nos todos os procedimentos, inclusive como transformar o sofá em cama e que estaria naquela carruagem se houvesse algum problema.

Na cabine ao nosso lado, ia um casal de espanhóis, com quem passamos algum tempo a falar sobre esta experiência única..

Voltámos para a nossa cabine, era hora de descansar, mais logo já em São Petesburgo, tínhamos muito que ver e que aprender.

Bebemos um sumo, comemos uma sandes, e por volta das 1h30, fomos descansar. A noite de sono, foi boa, esta cabine, com capacidade para duas pessoas, está decorada de uma maneira que dá maior vigor a percepções como a de que ‘mais vale uma imagem do que mil palavras‘.

As camas são confortáveis e tem isolamento de ruído, durante as cinco horas que conseguimos dormir, acordei algumas vezes com a sensação que ia cair da cama, por causa da trepidação do comboio, mas nada que não se suporte tranquilamente. Para quem quiser existem restaurantes a bordo e as cabines VIP têm chuveiros privativos.

Às 6 da manhã,  a assistente de bordo bateu à porta e serviu o pequeno almoço… bem variado (até laranjas de Valência, não obstante o embargo russo à importação de fruta da UE). Estávamos a passar por Kolpino, nome guardado na memória de leituras passadas sobre o cerco nazi a São Petesburgo (1941-1943), localidade historicamente marcada por ter sido uma das frentes de batalha, era sinal de que o destino final do Flecha Vermelha estava próximo…

Chegava ao fim esta nossa viagem, percorremos mais de 700kms, foi como se viajássemos desde Valença do Minho até Faro, numa noite.

Chegámos então à estação de São Petersburgo, ao som da linda e histórica música “Hymn of a Great City”, do compositor Reinhold Glière, russo, mas com ascendência alemã. Foi uma das melhores formas de acordar que tivemos nas nossas vidas..

O “Hymn of a great city” foi feito em memória à cidade e era só o inicio da descoberta de uma cidade fantástica… Até já!!!