Viagem a Viena e Bratislava – Áustria e Eslováquia

Viagem a Viena e Bratislava – Áustria e Eslováquia

22 de Março, 2019 13 Por Vitor Martins

Nunca aquela velha máxima, “nada acontece por acaso”, fez mais sentido.

Conheci o Paulo Martins há praticamente dez anos, ele é amigo de um amigo meu. Como tem algumas dificuldades visuais, comprou-nos uns óculos e a partir daí começou a nossa amizade.

O Paulo viveu a sua infância perto de Condeixa-a-Nova, mas trabalha há catorze anos em Lisboa, e é uma pessoa especial! Lutador, bondoso, com um coração de ouro. Quando terminou o liceu, com a falta de emprego, e infelizmente com as limitações físicas que tem, não conseguiu trabalho em Coimbra, mas não baixou os braços e teve a coragem de ir sozinho para Lisboa, no único lugar onde conseguiu emprego e onde está até aos dias de hoje.

Ele tem artogripose,uma doença congenita que lhe afeta todas as articulações do corpo, mas é uma pessoa responsável e exigente, portanto consegue ser muito melhor que muitas pessoas no trabalho que executa… Admiro-o e à sua coragem, e por isso um dos muitos dias em que ele veio até Condeixa e me visitou, em conversa a falarmos de viagens, demonstrou que gostava de fazer uma viagem connosco e que Viena era uma cidade que lhe despertava o interesse.

Nós nunca tínhamos estado em Viena, estavam reunidas as condições para irmos todos, aproveitávamos e iríamos também a Bratislava.

Conseguimos voos, e reservámos uma suite de um hotel para todos, e começámos a contar os dias que faltavam para irmos! 🙂

O dia chegou, saímos cedo de Lisboa rumo a Viena!

Tínhamos uma viagem de 2h20, precisávamos de relaxar, e foi o que o Pedro começou logo a fazer!

Passámos pelos Alpes, com alguma neve…

Finalmente chegámos ao aeroporto de Viena, local que guardava a recordação da escala que aqui fizemos de Varsóvia rumo Lisboa, o que nós corremos para apanhar o avião… 🙂

Bom, tínhamos de almoçar, a fome tinha-se apoderado das nossas barrigas, ainda dentro do aeroporto decidimos ir comer um hambúrguer a uma das cadeias de fast-food e seguimos viagem!

Apanhámos um comboio rápido até ao centro da cidade, existem vários pontos de venda de bilhetes para o CAT dentro do aeroporto.

Esta viagem, não foi programada, como de certa forma fazemos quando vamos sozinhos. Levámos as crianças, e o Paulo, pensávamos nós iria ter dificuldades em andar muito a pé, mas enganámo-nos! 🙂

O Paulo anda no ginásio já há alguns meses, e tem tido as pessoas certas ao lado dele, que lhe fizeram o treino adequado e lhe fortaleceram os músculos e agora, apesar de tudo, fez trinta quilómetros em quatro dias tal como nós! 🙂

Mas o nosso objectivo principal era ir relaxar e conviver! Chegámos ao hotel, e deparamos-nos com uma enorme suite, com quarto, sala, cozinha. Nós ficámos no quarto e o Paulo e o Vitor, dormiram na sala, num sofá cama… Perfeito!

Decidimos então, ir até à zona da Ópera de Viena, onde iríamos passear um pouco e jantar.

Por aqui, respiramos música…

Queríamos visitar o seu interior, por isso entrámos e fomos saber como o podíamos fazer.

Ficámos a perceber que no sábado, o único dia que tínhamos disponível para visitar, haveria duas visitas da parte da tarde, mas nós como não tínhamos tempo de ir ver a sala e assistir a um concerto teríamos que escolher, e então decidimos tentar ir ver um espectáculo.

Bom, o dia já ia longo, a fome apertava novamente, fomos mostrar ao Paulo, o que era uma verdadeira salsicha no pão! Ele adorou!

Acordámos cedo, a nossa primeira visita do dia, seria o fantástico Palácio de Schonbrunn, que foi durante muitos anos a residência de Verão da família imperial austríaca.

É um dos palácios mais visitados da Europa e o mais famoso de Viena, ou seja, imperdível para quem vai visitar a cidade! Este lugar incrível é apelidado de “Palácio de Versalhes de Viena” e possui 1441 quartos no estilo barroco, sendo abertos 40 deles ao público, que contam um pouco da história dos Habsburg. O Palácio é Património Histórico Mundial, pela sua importância histórica e da impressionante mobília barroca.

Os seus jardins exteriores são autênticas obras primas, mas claro, nesta altura do ano, não tão bonitos como no Verão!

O Pedro por lá, já fazia das dele!

Podemos visitar o seu interior, mas nós não tínhamos tempo, decidimos que ficará para uma próxima viagem a Viena.

Daqui seguimos para um bairro muito peculiar, nos arredores de Viena! O bairro de Erdberg, é lá que existe o Hundertwasser House, um prédio de apartamentos construído após a ideia e conceito do artista austríaco Friedensreich Hundertwasser com o arquitecto Joseph Krawina como co-autor. A Hundertwasser House é um dos edifícios mais visitados de Viena e tornou-se parte da herança cultural da Áustria.

Daqui, fomos diretos ao enorme mercado de Viena! O Naschmarkt é o grande mercado do séc. XVI, com mais de cem barracas de alimentos e produtos vintage, além de restaurantes. Por aqui passeámos, envoltos numa imensidão de pessoas.

São estes locais que nos mostram, a verdadeira gastronomia de um país. Tentamos sempre visitar o mercado de qualquer cidade onde vamos e esta cidade não foi excepção. Foi aqui que almoçámos. Até agora a chuva ainda não tinha aparecido apesar do céu nublado, e isso era muito bom para nós!

Já de barriga composta, e sempre com a ideia de que, estávamos por ali para conviver e relaxar, fomos até a Ópera, para tentar saber mais sobre os bilhetes.

Pelo caminho vimos o Secessão de Viena, um museu ligado ao movimento de um grupo de jovens artistas, liderados por Gustav Klimt, no final do século XIX. A visita terá que ficar para outra altura…

Vimos ainda a Karlskirche, uma igreja católica romana, considerada a mais notável igreja barroca de Viena, bem como um dos maiores edifícios da cidade, a igreja é dedicada a S. Carlos Borromeo, um dos grandes contra-reformadores do século XVI.

Impressionante! 🙂

Passámos também no Musikverein, que é uma famosa sala de concertos.

Já na Ópera, haviam muitas movimentações de bilhetes, mas aconselharam-nos a voltar perto das 17h para tentar comprar para os lugares no topo da sala.

Fomos visitar a Catedral de Santo Estevão, e que lugar!!

A catedral, também conhecida como “Steffl”, é uma das mais importantes catedrais góticas do mundo e um exemplo da arquitectura do século XII. Possui duas torres, a torre norte foi renovada de acordo com a estética renascentista em 1579 e seu interior adquiriu uma tendência barroca.

O famoso sino o “Pummerin”, pesando não menos que 21 toneladas, sofreu consideráveis danos causados pelos ataques da Segunda Guerra Mundial, actualmente é usado para ocasiões especiais como o novo ano.

Daqui decidimos ir beber um café e comer uma fatia do famoso Sachertorte num dos muitos tradicionais e centenários cafés de Viena.

Os cafés são quase museus, têm um glamour impressionante! O Pedrinho adorou, o bolo claro! 😀

De seguida passeámos pela zona da Biblioteca Municipal e pelas antigas portas de entrada da cidade.

Daqui, apanhámos o eléctrico e fomos visitar o magnífico Palácio de Belvedere!

Este palácio em estilo barroco, é dividido em Belvedere Superior, que hoje abriga um museu que contém importantes obras, e Belvedere Inferior, que abriga exposições temporárias. As duas partes do palácio são ligadas por um jardim espectacular.

A parte inferior foi inaugurada em 1716, a parte superior só começou a ser construída em 1717 e foi terminada em 1723, e pertenciam ao príncipe Eugénio de Sabóia. Em 1752, os herdeiros do príncipe venderam o complexo do palácio para Maria Teresa da Áustria, que o nomeou Palácio Belvedere, que significa Bela Vista. Em 2 de maio de 1903, foi inaugurada a Galeria Moderna no Belvedere Inferior e foi para lá que foram levadas as primeiras obras de artistas importantes, como Van Gogh e Claude Monet. Desde 2001 que é Património Mundial da UNESCO. Actualmente, o Palácio Belvedere abriga a mais importante colecção de arte austríaca, desde a Idade Média até os dias actuais. No museu destaca-se a maior colecção de Gustav Klimt, entre as obras famosas estão Judith e O beijo.

Bom, estava sol, mas o vento, por vezes era bastante desagradável… Nada que não se suportasse, mas estava a chegar a hora de voltar à Ópera para tentarmos os bilhetes!

Quando chegámos, por volta das 18h30, deparamos-nos com uma fila infinita para tentar conseguir bilhetes. 🙁

Decidimos então, tentar falar com algum vendedor, para negociarmos um preço. Ficámos a perceber facilmente que para a Ópera, não seria fácil conseguir bilhetes a preços acessíveis às nossas carteiras. Entretanto, a Ana e os miúdos foram para o hotel descansar e eu fiquei com o Paulo para ver se conseguíamos bilhetes.

Depois de muito negociar, lá conseguimos dois bilhetes para a Imperial Hall, na Praça Beethoven, muito acolhedora e acima de tudo, muito pessoal. Fomos jantar descansados, e entrámos. Os nossos lugares eram na terceira fila, conforme nos venderam.

A partir daqui, o momento foi único e ímpar nas nossas vidas!

Foi um concerto de ópera, mas também de ballet e orquestra. A banda, a Wiener Royal Orchester, e a acústica do salão deixavam-nos arrepiados e boquiabertos a cada música. O tempo aqui, voou!

Num ápice, o concerto acabava, o “Mozart”, o “Beethoven” ou o “Chopin” arrumavam os seus instrumentos, e nós, era hora de voltar para casa. O dia seguinte reservava-nos grandes surpresas. 😀

Acordámos bem cedo, hoje parte do dia seria para irmos de comboio até Bratislava, capital da Eslováquia de comboio, a cerca de 80kms de Viena. Tínhamos tudo reservado pela internet, mas a estação que iríamos apanhar o comboio pensávamos nós ficava na zona este da cidade. Apanhamos um metro, e fomos até a estação.

Chegámos cerca de meia hora antes da saída do comboio, mas qual não é o nosso espanto, quando ao procurarmos a gare, o segurança nos disse que a estação não era esta, mas sim, a estação central que logo após verificamos, fica a cerca de vinte minutos de metro… 🙁

Metemos rapidamente pés ao caminho, corremos o mais possível, e finalmente chegámos à Estação Central… Imaginem que, chegam à estação, e o comboio está mesmo a arrancar e já não existe forma de voltar para trás! Foi o que nos aconteceu… Só nos restava tentar apanhar outro comboio. Dirigimos-nos ao balcão de informação e logo se prontificaram a arranjar uma solução, teríamos só de esperar mais cerca de quarenta minutos. Menos mal. 🙂

Lá fomos nós, até Bratislava, sabendo que iria ser um dia bastante chuvoso.

Mal chegámos, apesar da chuva, apercebemos-nos logo que aqui tudo era diferente, muito mais lixo nas ruas e gente muito mais pobre.

A chuva acabou por limitar um pouco, naquilo que queríamos fazer. Mas como somos persistentes, fomos na mesma!

A zona central da cidade é muito bonita, passeámos um pouco por lá e passámos em frente à Embaixada Portuguesa.

Aqui o Portão de Miguel, é o único portão da cidade que foi preservado das fortificações medievais, construído por volta do ano 1300. Naquela altura a cidade era cercada por muros fortificados, e a entrada e a saída só eram possíveis através de um dos quatro portões fortificados.

Chovia bastante, decidimos comprar um chapéu de chuva e seguimos viagem até ao famoso “Cumil”.

A tradução literal da palavra Cumil é “o observador”. Há duas explicações possíveis para o seu nome. O primeiro rumor diz que ele é um típico trabalhador da era comunista que não se incomodava com o trabalho que deveria estar a fazer. De acordo com o segundo, ele está a olhar sob as saias das mulheres. Esta estátua é bastante fotografada e atrai turistas na junção das ruas Laurinská e Panská.

Daqui seguimos até à praça da Câmara Municipal de Bratislava, onde parámos para almoçar.

O almoço estava delicioso… 🙂

Provámos um prato típico da Eslováquia, um estufado de carne, cogumelos e queijo!

E outro típico da vizinha Áustria, o famoso Wiener Schnitzel, o equivalente ao nosso panado. 🙂

Como a chuva não parava, ficámos mais um pouco a descansar e a brincar!

Ainda tínhamos bastante tempo, mas a chuva não parava, decidimos entrar no metro de superfície e andar até ele parar! 🙂

Parámos a meio do trajecto e fomos apreciar as vistas para a Ponte OVNI e o Castelo. Era outro lugar que queríamos ir mas que não tivemos condições. Apesar do tempo enfadonho e chato, estávamos a adorar o nosso dia.

Era chegada a hora de apanhar novamente o comboio para Viena…

Seguimos então para mais cerca de uma hora e meia de viagem, com paisagens lindíssimas em pano de fundo.

Impressionante, chegámos a Viena e estava um sol incrível! Sim, é verdade! 😀

Foi então que decidimos ir ao Wiener Prater!

O Prater é um gigantesco parque público, que tem um parque de diversões e uma roda gigante!

Fomos experimentar! As vistas do cimo da roda são realmente impressionantes!

A roda tem carruagens privadas, que se podem reservar para uma refeição apreciando a paisagem da cidade!

A vista era linda, as crianças adoraram, mas era hora de descer. O Paulo não quis subir, ficou à nossa espera cá em baixo.

A noite chegava era hora de sair do Prater… 🙂

Estávamos muito perto do famoso estádio Prater, onde o FCP, ganhou a sua primeira Liga dos Campeões em futebol. O Paulo é portista, tinha de ir lá com ele. Apesar do vento e de ser já noite, fica o registo de mais um momento que ficará nas nossas memórias.

Pois é, a nossa estadia por Viena estava a terminar. Tínhamos de ir descansar que o voo do dia seguinte seria muito cedo.

Apesar dos ventos, e de o avião abanar um pouco, lá chegámos nós em segurança a Lisboa.

Ao aterrarmos, e como sempre, a fantástica equipa easyParking, lá está para nos dar as boas vindas com a nossa viatura!

Sem dúvida que desenvolvem um maravilhoso trabalho, ao guardar-nos a nossa viatura durante o tempo que for necessário!

Por último, só uma nota final, ao nosso companheiro nesta viagem, que fez das limitações forças mais uma vez, e conseguiu fazer tudo o que nós fizemos tranquilamente. Grande abraço amigo Paulo Martins! 😀