Glasgow – Escócia

Glasgow – Escócia

19 Outubro, 2018 11 Por Vitor Martins

Saímos de Edimburgo ao final da tarde, numa viagem de comboio que durou cerca de uma hora, passando as “Highlands” de uma ponta à outra.

Chegados a Glasgow, apesar do frio, estavam ao fim da tarde uns 8 graus, quando dois dias antes em Portugal estavam temperaturas mínimas de 22 graus e máximas de 30, era realmente muito frio! Eu adoro, a Ana nem por isso, mas nada que nos impeça de não ir a todo o lado que podemos. 🙂

Por aqui, tudo é ainda mais calmo. Fomos directos ao hotel, deixámos as malas e fomos explorar a bela cidade de Glasgow… 😀

Mesmo à saída do nosso hotel, estava este unicórnio desenhado por um cidadão do Canadá. Neste desenho está a bandeira do Canadá, da Escócia, o coração, e o unicórnio.

Sobre o coração e o que significa para os escoceses falaremos no artigo de Edimburgo, hoje vamos falar-vos do unicórnio.

De acordo com o site oficial da Escócia, na mitologia celta o unicórnio era um símbolo de pureza e inocência, bem como masculinidade e poder. A Escócia tem um longo historial de mitos e lendas, ou seja, não é surpresa que uma criatura lendária como o unicórnio seja eleito para animal nacional.

Os unicórnios estão ligados à Escócia há séculos. Enquanto o animal é mitológico, os ideais que ele representa são o que o torna um ajuste perfeito como animal nacional para a Escócia, e porque, como esta orgulhosa besta – os escoceses lutariam para permanecerem invictos.

O unicórnio e seu vínculo sagrado com a Escócia estão associados à heráldica escocesa. Louvado por seu orgulho e força, este nobre animal apareceu numa versão inicial de um brasão real escocês de William I no século XII. Entre os séculos XIV e XIX, as moedas de ouro foram gravadas com o unicórnio. E assim, o brasão real escocês passou a incluir dois unicórnios protegendo o escudo até 1707, quando Escócia e Inglaterra se uniram e um unicórnio foi substituído por um leão, para mostrar que os dois países.

Com mais uma aprendizagem, seguimos para o centro da cidade e fomos visitar a George Square!

Por aqui tudo estava calmo, mas nem sempre foi e é assim… Esta praça era e é usada para manifestações públicas de descontentamento…

A George Square foi projectada em 1781, reflectindo a crescente influência racional do Iluminismo escocês. No entanto, nos primeiros anos, era pouco mais do que um buraco enlameado, cheio de água suja e que era usado para abater cavalos. Entre 1820, a praça foi finalmente aberta e alinhada com casas georgianas nas extremidades leste e oeste, bem como hotéis. Em 1842 viu a abertura, no canto noroeste da praça, da Queen Street Station. Em 1850, a área circundante tornou-se um centro de actividade mercantil, levou inclusive a Casa dos Mercadores a mudar-se para lá em 1877. A praça recebeu o nome do Rei George III, cuja estátua originalmente pretendia ocupar o centro da praça, mas a agitação e a ansiedade causadas aos “senhores do tabaco” da cidade, pela Guerra da Independência Americana de 1775 e a consequente derrota britânica em 1783, juntamente com seus ataques de loucura, cada vez mais frequentes, criaram-se sentimentos mistos em relação ao Rei, e por isso foi decidido fazer o primeiro memorial a Sir Walter Scott. Walter Scott nasceu em Edimburgo e era filho de um advogado, que lhe destinou também a carreira de advogado, mas ele depressa a trocou pelos entusiasmos da literatura e pela adoração das antiguidades. Foi o criador do verdadeiro romance histórico.

O dia estava a terminar, era hora de jantar e ir descansar, mas antes ainda passámos pelo Museu de Arte Moderna para o apreciarmos de noite.

Pelo caminho até casa, vimos várias mensagens escritas, dizendo que “as pessoas é que fazem Glasgow”, e de facto, é essa também a nossa opinião! As pessoas é que fazem os sítios! 😀

No dia seguinte, o nosso objectivo era irmos visitar o Celtic Park, um estádio de futebol, dos mais prestigiados do Reino Unido. É considerado para os seus adeptos como o paraíso e, aprendendo um pouco da sua história ficamos a perceber o porquê!

Chegámos a Celtic Park numa manhã com céu bastante nublado, mas ao entrar percebemos quão calorosas aquelas pessoas eram a receber os seus visitantes!

Logo na entrada, está a estátua do capitão dos “Leões” do Jamor, Billy McNeill, que em 1967, levantou a única Taça dos Campeões Europeus em pleno Estádio do Jamor em Oeiras!

Seguindo até perto da entrada do estádio, existe outra estátua, a de Jock Stein, um treinador que mudou o futebol da Escócia e claro do Celtic, ganhando 10 campeonatos, 8 taças da Escócia e 6 taças da Liga, culminando na vitória da Taça dos Campeões em 1967 em Lisboa. Ele também sempre salientou que o “futebol sem adeptos não é nada” e isso criou a mística dos adeptos celtas que já ganharam inúmeros prémios, pela sua união, entrega e fair-play em todos os campos por onde passam.

Ficámos desde logo a saber que o Celtic tem uma relação umbilical com Portugal.

Ao entrarmos, tínhamos dois calorosos fãs do Celtic à nossa espera. Quando falámos que éramos portugueses, falaram logo no Benfica, Sporting e Porto, este com mais tristeza, pois com ele perderam uma final da Taça UEFA, no Mónaco em 2003.

Mesmo assim, a forma como nos trataram foi inesquecível! Ficámos um pouco à espera que as pessoas chegassem todas para iniciarmos a nossa viagem pelo Celtic Park. Passados dez minutos, entrávamos no sub-mundo do “Paraíso”, com dois adeptos de Celtic, dois cidadãos da Arménia, dois cidadãos da Holanda, quatro cidadãos da Polónia, uma cidadã da Inglaterra e dois cidadãos da Áustria.

A nossa aventura começava no primeiro andar e logo com uma surpresa bastante agradável, uma oferta do Sport Lisboa e Benfica, numa das deslocações a Celtic Park, neste caso em 1969!

Descemos para o museu, onde ficámos a maior parte do tempo que passámos em Celtic Park. Aqui o guia, falou das conquistas e derrotas do seu clube do coração e várias vezes, da admiração que tem pelo Sport Lisboa e Benfica!

Ele e os dois adeptos do Celtic, já tinham estado por duas vezes no estádio da Luz, disseram várias vezes às outras pessoas, que o estádio da Luz é lindo, e que ficaram fascinadas com o voo da águia até ao relvado!:D Bom, voltando a Celtic Park, por lá vimos a única Taça dos Campeões Europeus conquistada em Lisboa em 1967.

Vimos também a Taça da Liga, a Taça da Escócia e a da Liga Escocesa…

E ficámos a perceber mais uma vez, a ligação do Celtic aos clubes de Lisboa.

Uma coisa que nos impressionou, foi o respeito com que falavam dos rivais e dos outros clubes. Notava-se realmente uma mística diferente do que estamos habituados.

Uma coisa que sempre aprendi como adepto de futebol, foi a de que, todos tem o seu mérito, e não podemos ganhar sempre, mas aquilo que me apaixona ainda mais, é ver adeptos a agirem desta forma. Isto para mim é o futebol!

Entrámos no Paraíso dos adeptos do Celtic!

Daqui seguimos até aos balneários, onde podemos ver e tocar as camisolas dos jogadores…

Por aqui, existe um português que já não joga futebol, mas ainda é ídolo. Jorge Cadete, que em 1996-1997, em 47 jogos, marcou 38 golos. Este era o seu vestiário e a última vez que passou por Celtic, foi lá assinar o nome dele, e a partir daí todos os “donos” ou “ex-donos” assinam também.

A nossa visita a Celtic Park estava a terminar, mas tinha sido mais uma enorme lição do que é o futebol. Por vezes precisamos de sair da nossa casca, ver outras realidades, para ficarmos a amar o nosso clube na mesma, mas de uma forma muito mais racional e tolerante.

Passámos também pela loja oficial, onde podemos ver à venda uma chuteira autografada do Henrik Larsson, um dos maiores goleadores da história do Celtic, com 242 golos em 313 jogos, ou uma fotografia tirada no Jamor dos heróis de Lisboa.

Saímos de coração cheio! Apanhámos um táxi da Uber (que aqui na Escócia andam devidamente identificados), e fomos directos à Catedral de Glasgow!

A catedral de Glasgow é o orgulho da cidade, de estilo gótico, marca a sua origem. É a mais bela igreja medieval da Escócia, com uns vitrais majestosos, a estrutura actual foi construída a partir do século XII, e é a única catedral medieval no continente escocês que sobreviveu à Reforma Protestante em 1560. Diz a lenda que St. Kentigern ou Mungo, foi enterrado no local no início do século VII. Ele foi o primeiro bispo de Strathclyde, um antigo reino britânico, e é o santo padroeiro de Glasgow.

Uma coisa que impressiona por aqui, é que as igrejas ou catedrais, são para além de locais de culto, autênticos espaços de lazer para as famílias, com cafés e até restaurantes dentro. É um forma completamente diferente de viver a religião.

Logo por trás da Catedral situa-se a Necrópole de Glasgow, onde se presume estarem enterradas cerca de 50.000 pessoas. Existem aproximadamente 3.500 monumentos, nem todos identificados, como era comum na época.

Daqui, seguimos para o centro da cidade a pé, passando pela zona Universitária, apreciando a arte urbana daquela zona… <3

É de ficar boquiaberto!! Até bebemos café numa antiga estação de controle da policia! 😀

Seguimos para visitar o GoMA, o museu de arte moderna de Glasgow. Quando chegámos vimos que por aqui, os limites da imaginação vão muito mais além!! O cavaleiro e o seu chapéu “pino” que o digam!! 😀

Estava a chegar ao fim a nossa estadia por Glasgow, mas ainda tivemos tempo para um passeio pelas margens do rio Clyde, e para apreciar as suas pontes.

E assistir a um casamento a decorrer na igreja Católica Romana St Andrew. 🙂

A nossa estadia por Glasgow chegava ao fim, adorámos estar por aqui. Até sempre! <3