Petra – Jordânia

Petra – Jordânia

31 Agosto, 2018 20 Por Vitor Martins

O fantástico deserto de Wadi Rum ficou para trás… Saímos bem cedo de Wadi Rum em direcção a Petra.

O Hamed estava à nossa espera nas portas do deserto, para seguirmos cerca de duas horas percorrendo 111kms. Hoje é um dia especial, é o dia do meu 39º aniversário!!

Seguimos sempre pela “Kings Way”, a estrada mais famosa da Jordânia. A “Kings Way” tem cerca de 335kms, e é a mais importante estrada do país. Tem cerca de 5000 anos e serpenteia pelas várias zonas ecológicas do país, incluindo as florestas das terras altas, os planaltos agrícolas, as fundas ravinas, a orla do deserto a leste e o ameno e tropical Golfo de Aqaba. A ladear esta via encontramos uma vasta selecção de locais arqueológicos que se assemelham a um índice de um livro de história e a um dicionário geográfico bíblico: aldeias pré-históricas da Idade da Pedra, cidades bíblicas dos reinos de Ammon, Moabe e Edom, castelos dos Cruzados, alguns dos melhores mosaicos bizantinos do cristianismo primitivo no Médio Oriente, uma fortaleza romana-herodíana, vários templos nabateus, duas grandes fortalezas romanas, cidades do início do Islamismo e a capital nabateia esculpida na rocha, Petra. Mencionada pela primeira vez na Bíblia, a “Kings Way” era o percurso por onde Moisés queria levar o seu povo para norte através de Edom que hoje fica no sul da Jordânia. O nome, todavia, poderá derivar do episódio anterior que é contado no Génesis 14 quando uma aliança de “quatro Reis do norte” avançou com as suas tropas por esta via em direcção à batalha contra os cinco reis das Cidades da Planície, incluindo as imorais cidades de Sodoma e Gomorra.

Uma estrada com uma história enorme!!

O tempo passou a correr, num ápice estávamos a chegar a Petra. O Hamed parou para descansarmos um pouco e bebermos um belo café apreciando as vistas para o desfiladeiro de Petra…

Estávamos a chegar a Petra, uma das sete maravilhas do mundo moderno, no dia dos meus anos… É arrepiante!!

A emoção e ansiedade era muita, mas nós ainda não tínhamos visto nada, iríamos ficar aqui dois dias para explorar a antiga cidade dos Nabateus! Fomos deixar as malas ao hotel e seguimos para a cidade antiga… Petra antiga, não tem habitantes permanentes, o governo decidiu retirar as pessoas e fazer uma nova cidade para eles viverem, preservando assim a cidade antiga. Aos habitantes da cidade nova, de seu nome Wadi Musa, ficou entregue a exploração turística da cidade antiga.

Bom, o primeiro impacto com Petra antiga,  são as centenas de pessoas que te tentam vender algo! Foi a primeira e única vez que sentimos isso na Jordânia e é algo extremamente desagradável… 🙁

Como tínhamos o Jordan Pass, tínhamos direito a entrar dois dias em Petra e um guia privado durante três horas para nos explicar o essencial da cidade… Foi para lá que o Hamed nos levou e ficámos entregues a um amigo dele, bastante simpático que nos foi explicando mais sobre a cidade de Petra…

A antiga cidade de Petra é um dos tesouros nacionais da Jordânia, e, de longe, a sua atracção turística mais conhecida. Petra é o legado dos nabateus, um engenhoso povo árabe que se fixou no sul da Jordânia há mais de 2000 anos. Admirada pela sua cultura refinada, arquitectura imponente e engenhoso conjunto de represas e canais de água, Petra é património mundial da UNESCO e encanta visitantes de todo o Mundo. Muito do charme de Petra provém do seu enquadramento fantástico: lá no fundo de um desfiladeiro no deserto. Para chegar ao local, é preciso atravessar um longo desfiladeiro ou “siq” cujas paredes se elevam a 200 metros de altura. O monumento mais famoso de Petra, o Tesouro, surge, de forma dramática, no fim do “siq”. Usado na sequência final do filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”, a imponente fachada do Tesouro é apenas um dos muitos prodígios arqueológicos a explorar em Petra. Os vários caminhos e subidas revelam centenas de edifícios, túmulos, banhos públicos, câmaras funerárias, templos, portas com arcos, ruas com colunas e impressionantes inscrições petrográficas, bem como um teatro ao ar livre com 3000 lugares, um mosteiro gigante do século I e um museu arqueológico moderno – tudo para explorar com calma.

É uma cidade enorme e um lugar fantástico!!Um sonho!!

O desfiladeiro tem cerca de um quilómetro e é de facto impressionante como o ser humano foi capaz de construir canais de água e conseguiu fazer um caminho até chegar ao “tesouro”…
Confesso que ainda me estou a arrepiar só por ver as fotografias, aquela sensação de ver o “tesouro” no fim do desfiladeiro, não tem palavras, não tem preço!!
Por momentos ficamos boquiabertos a olhar em volta, deixámos de ouvir o guia, e desfrutamos daquele momento único nas nossas vidas.
Passados aqueles momentos, o simpático guia, que se dizia descendente de nabateu, que foi criado dentro da cidade antiga, tirou-nos esta foto, e continuamos o nosso caminho.
Ele iria seguir connosco até ao caminho da subida para o mosteiro e depois acabava o seu trabalho e nós ficávamos por nossa conta. A partir daqui começamos a entrar no centro da cidade antiga, onde os camelos, burros e pessoas abundam!!
Muitos vendedores dentro de lojas, muitos vendedores de rua, muitos a tentar vender viagens de burro ao Mosteiro… enfim gente a mais e incómodo a mais…
Depois do guia nos tentar levar para dez lojas de souvenirs de amigos, e de passarmos por dezenas de pessoas a abordarem-nos, o guia acabou o dia dele e nós seguimos para almoçar.
A nossa intenção era subir ao Mosteiro, mas antes passamos pela cidade romana, bem vincada naquela zona, pelo anfiteatro e o edifício das colunas.
Para subirmos até ao Mosteiro temos de passar por cima de 822 degraus, mas vale mesmo muito pena. A subida é um pouco íngreme, mas nada de especial e quem não quiser ir a pé pode sempre alugar um burro… Centenas fazem aquele longo caminho todos os dias e imaginem só que até podemos pagar o transporte com cartão VISA. 😀
A meio do caminho, um pouco cansados da subida, mas também de tanta abordagem de pessoas nas lojas improvisadas serra a cima, encontramos uma humilde senhora a fazer a sua sesta…
Mal acabámos de tirar a fotografia, ela apercebeu-se, levantou-se, começou a rir e com gestos a dizer que queria ver a fotografia… Quando viu que foi apanhada a dormir, fartou se de rir e disse logo, ficas com a fotografia, mas tens de comprar algo aqui… eu disse lhe que quando regressássemos assim o faríamos.
Lá continuamos o nosso caminho, estava difícil mas já se via “luz ao fundo do túnel”… 🙂
E chegámos finalmente ao Mosteiro, construído pelos Nabateus, um povo com uma mitologia, arte e engenharia excepcionalmente ricas, que desapareceu após a conquista pelo Império Romano.
Embora não se conheça ainda a data precisa em que Petra começou a ser construída, estima-se que as primeiras construções datem do século V A.C.
Foi em 1985 que Petra foi considerada Património da Humanidade. A UNESCO declarou-a “uma das mais preciosas propriedades culturais da herança cultural da humanidade” e de facto, é-o sem sombra de dúvida… <3
Ali ficamos horas a descansar, a desfrutar da vista e do momento único nas nossas vidas, e sim, era o dia do meu aniversário e já tinha feito cerca de 15 kms a pé pela cidade…
Era chegada a hora de descer, com calma, despedíamos-nos deste local, o maior monumento de Petra. 
Tem 50 metros de altura e 45 de largura.

Parecia ainda maior porque está incrustado numa montanha. Nada mais em volta. 
Um largo de areia vermelha em frente e depois a fachada parecida com a do Tesouro e colunas e em em cima a coroa real.

A origem do nome al-Deir (mosteiro) é desconhecida. Na verdade, o edifício terá servido como túmulo de um dos reis nabateus. O mosteiro tem uma única entrada e um extenso salão vazio. 
As múltiplas variações da cor rosa e fortes tons amarelos encantam. 🙂
Quem quiser pode subir um pouco mais e ir ao “fim do mundo” apreciar as vistas.

o fim do mundo

Já a meio da descida e a arrumar a sua loja, lá estava a simpática senhora à nossa espera!! Como é lógico nunca se iria esquecer da nossa cara, e lá nos convenceu a levar uns souvenirs (bastante mais caros do que na cidade nova), mas foi por uma boa causa!! Continuamos a descer tranquilamente, e a usufruir das vistas.

Já cá em baixo deparamos-nos com as garagens dos beduínos… modernices!!! 😀

Voltámos novamente para a saída que é sempre feita pelo “siq”, e fomos descansando, afinal já tínhamos 20kms nas pernas!!!

Estava a ser um dia em cheio, saímos do “siq” e lá estavam os cavalos que percorriam cerca de 1km até a porta principal transportando pessoas. No Jordan Pass temos direito a duas viagem de cavalo, incluídas no preço que pagámos. Dirigimos-nos até à zona onde estavam os cavalos com os tratadores, apresentamos o Jordan Pass, um miúdo encaminhou-nos para o cavalo, subimos. Assim que nos sentámos no cavalo, o tratador disse-nos que tínhamos de pagar €5 por pessoa… nós insistimos no Jordan Pass e ele insistia que se tinha de pagar… desistimos e fomos a pé. 🙁
Chegamos à recepção, fizemos queixa, o polícia disse que tínhamos razão, mas não ligou nada ao que lhe dissemos.
Viemos a perceber que era prática recorrente e que todos ganhavam no negócio e as pessoas tinham de pagar duas vezes… 🙁 São estas coisas que me revoltam em viagem, toda a gente precisa de ganhar dinheiro, mas assim não!!!
Mas o melhor estava para vir, Hamed à nossa espera, foi-nos levar ao hotel, e quando chegámos convidou-nos para ir jantar a casa dele, que hoje era um dia especial para mim.
Tomamos banho e fomos. A casa era perto, íamos bem a pé, aliás no fim do jantar viemos a pé para casa.
Fomos recebidos pela família, três filhos e uma filha e tratados como uns “reis”. Falamos dos vários problemas da sociedade de hoje, das nova tecnologias e ajudamos o Hamed e a filha mais velha a criar uma página no Facebook. Outro grave problema tem sido o turismo, que desde 2013 decaiu mais de 50% em Petra, estas pessoas não merecem o que lhes está a acontecer, no caso desta família tem afectado os estudos das crianças e o bem estar em casa…
O jantar foi arroz com amendoins e frango!! Estava delicioso! 😀
O dia estava a acabar, ficamos por lá até perto da meia noite na conversa, a filha mais velha do Hamed fala muito bem inglês, foi uma noite inesquecível!!! 🙂
O dia seguinte amanheceu solarengo e fresquinho. Hoje o dia seria dedicado a subir ao outro lado de Petra e apreciar o “tesouro” de cima, e estávamos ansiosos!!
Entrámos novamente no desfiladeiro e seguimos até ao “Tesouro”..
Do “Tesouro” subimos pela serra, sempre em animada companhia para ver se comprávamos alguma coisa…
De salientar que no topo das montanhas existem poucas pessoas beduínas, é que eles por estratégia, muitas vezes tombam as placas para que os turistas tenham de pedir ajuda, e assim conseguirem facturar com visitas guiadas…
Não foi o que nos aconteceu, lá subimos com muito custo, ao topo da montanha. Fomos descansando e fomos vendo cada vez menos pessoas quanto mais alto estávamos. Este percurso é bastante mais difícil que o de ontem, mas não iríamos desistir…
Chegámos ao topo, e tivemos direito a este brinde!! 😀
Sem palavras!! Aqui com vista para a zona do Mosteiro…
Seguimos, o nosso objectivo estava quase a ser alcançado!! O “Tesouro” estava mesmo ali!!
O segredo mais bem guardado de Petra, tinha sido encontrado!!Que sensação fantástica!
Neste ponto estratégico, existe um bar, onde podemos beber algo fresco, e deu para tirar umas belas fotografias com o apoio do dono do bar!
Lá em baixo, as pessoas parecem formigas, e nós cá em cima, descansámos durante horas, entrando e saindo pessoas de todas as nacionalidades, apanhando uma brisa fresca lá no alto…
A meio da tarde, descemos tranquilamente, iríamos voltar novamente para o hotel, descansar, porque teríamos de voltar ao tesouro à noite.. Tínhamos de assistir ao espetáculo “Petra by night”. 🙂
Anoiteceu, entrámos no desfiladeiro…
À nossa espera tínhamos um concerto único de cerca de uma hora… Entrámos no desfiladeiro de noite, seguimos as luzes e chegámos ao “Tesouro”… Fomos encaminhados para um lugar onde nos sentámos em frente ao “Tesouro”..
Aquela hora passou num ápice, mas este momento zen ficará guardado na memória para o resto da vida!
No fim do espectáculo musical, projectam luzes no “tesouro”, o que lhe dá um efeito extraordinário!
Fomos saindo tranquilamente deste lugar mágico, dois dias de pura magia passámos aqui!!
Ao sairmos o Hamed disse-nos que já não poderia estar mais connosco, tinha compromissos inadiáveis, e iria um tio acompanhar-nos o resto da viagem…
Amanhã vamos seguir para o Mar Morto, onde já vamos passar parte do dia, e iremos dormir em Aman.
Por mais lugares que visites, alguns marcam te para a vida inteira, e este é um deles!!!
Petra <3