Poiares – Marrocos 2017

Poiares – Marrocos 2017

27 Outubro, 2017 20 Por Vitor Martins

Em Fevereiro de 2017, ao falar com o amigo Bruno Gândara, surgiu a oportunidade de fazermos uma viagem de jipe a Marrocos… ele já o tinha feito quatro vezes… a ideia era levarmos três jipes e arranjarmos pessoas para encher os jipes.

Disse lhe desde o primeiro dia que sim, e a partir daí começou uma nova etapa!! Começar a falar com a malta, até que em Julho marcámos um almoço com as famílias à beira do nosso rio Mondego para começarmos a organizar tudo. Nesse dia ficámos a conhecer a maior parte do grupo que iria, já tínhamos conseguido arranjar as pessoas. Falou-se vagamente acerca da rota que iríamos fazer, e acima de tudo conviveu-se até ao final da tardinha ficando-nos a conhecer uns aos outros…

Os dias da viagem estavam a aproximar-se, falámos e decidimos ir marcando os hotéis sem compromisso, porque a ideia inicial era ir e encontrar na altura mediante o local onde ficássemos… Como é lógico, numa ida de jipe podemos ter sempre problemas, e ainda para mais iríamos fazer muita zona de pistas em estradas de terra batida ou de acesso mais difícil… Fiquei responsável por isso, e por arranjar um guia na zona do deserto que nos acompanhasse dois ou três dias, para que pudéssemos explorar melhor essa zona e arredores… veio a revelar-se uma excelente ideia! Correu tudo conforme planeado, menos em um dos hotéis, que foi uma pena, tinha uma vista fantástica…

No fim de semana anterior, marcámos um jantar que revelou já um pouco do que se iria passar naquela viagem!! 🙂

Foi uma noite em cheio… fizeram-se as equipas, um pouco de forma aleatória, mas tentando juntar quem se conhecia melhor… Eu “Frida”, fiquei no jipe JEEP Wrangler com o meu primo Paulo “Mox”, o Pratas “Sport Billy” e o Pedro “Konna – o homem rã”, foram as nossas alcunhas, algumas já existentes outras “adquiridas” como irei revelar mais para a frente!! 🙂

Bom, o dia 27 de Outubro estava a chegar!!! Saímos depois de almoço no Restaurante As Medas, aliás todos os almoços e jantares do nosso grupo foram feitos lá e inclusive levámos uma bandeira da marca As Medas, para tirar fotografias no deserto… 🙂

Na paragem seguinte, que foi passado 200kms, o nosso jipe já tinha tanta história para contar!!!!

Ficou “instituído” que a música do carro seria uma música dos Irmãos Catita – Conan o homem rã – que passou, naquela semana, dezenas de vezes!!!!

Pedro, ou “Konna” conforme é conhecido entre amigos, é o dono e condutor do jipe Wrangler e o lema dele é “segurança acima de tudo”, por isso nada de mal nos ia acontecer!! 🙂 O problema maior do Kona era entrar no barco, isso preocupava-o bastante, vá-se lá saber porquê, até porque ele já era uma pessoa experiente nestas andanças…

Parámos já de noite perto de Jerez de la Frontera para comer um leitão que o nosso pendura, o Sport Billy tinha trazido… apesar da sede não ser muita, bebeu-se bastante água no nosso jipe, e a fome era negra, aquelas sandes de leitão souberam às mil maravilhas!! Comemos numa estação de serviço, e de salientar que levamos cerca de 50l de vinho, enlatados, fogão, três frigoríficos e até um cozinheiro!!! 🙂

Esta noite teríamos que embarcar em Algeciras, numa travessia de ferry, que demoraria cerca de 1h, para Tanger, já em Marrocos… O ferry era enorme, a viagem foi feita de noite e deu para descansar um pouco, depois da viagem de jipe de cerca de 650 kms…

Chegámos a Marrocos!! Burocracias tratadas, começar a palmilhar terreno… tínhamos uma longa jornada pela frente. Assim que saímos do porto, parámos num retiro para tomar o pequeno almoço… Seguimos, o nosso objectivo era fazer uma primeira paragem na aldeia dos macacos…

Mas antes almoçamos com uma vista fantástica para as serras do norte de Marrocos…

Passadas umas 4h de viagem, chegamos à aldeia dos macacos, estivemos por lá um pouco a interagir com eles, relaxámos um pouco, “abastecemos” e seguimos… 🙂

Tínhamos mais 6h de caminho por serras e vales, lindos, até chegarmos ao hotel que tínhamos marcado!! O dia foi muito longo, estávamos todos cansados, mas o hotel não nos desiludiu e tinha umas camas enormes onde pudémos descansar bastante… Tinha seleccionado o alojamento com jantar incluído nos hotéis reservados, como os muçulmanos não bebem bebidas alcoólicas, pedimos ao gerente se podíamos levar vinho para bebermos à refeição, pois isso era o que não faltava no nosso “stock”, ele deixou sem qualquer problema. O cansaço era muito, depois de algum convívio, fomos todos dormir para estarmos frescos para o dia seguinte!

Acordámos todos cedo, tomámos um belo pequeno almoço, com umas panquecas acabadas de sair, deliciosas… fomos fazer o check-out, e ao pagar começou uma das primeiras hilariantes histórias em viagem, na reserva estavam 2000dirhams, quando fui para pagar apresentaram uma conta de 1750dirhams, assumi que fosse desconto, paguei e seguimos viagem… Passados dois dias, à noite, recebo um e-mail do gerente do hotel a dizer que faltavam 250dirhams e que os tínhamos enganado… Não respondi logo, mas mais tarde já no deserto o Abdu, o nosso guia, falou nessa situação, respondi ao e-mail a dizer que tinha sido um mal-entendido, que tinha pago o que me pediram, mas que iria pagar ao Abdu e ele entregaria o dinheiro e assim foi… Esta história revela que no meio de tanta desorganização, os marroquinos ligados ao turismo tem uma rede montada e conhecem todos ou quase todos os intervenientes, como se veio a revelar neste caso…

Voltando à estrada, este e o próximo dia foram para mim os piores na estrada, muito pó, muita pedra, mas em compensação paisagens de cortar a respiração no médio Atlas…

A partir daqui, em qualquer lugar onde parássemos estava um marroquino, criança ou adulto!! Nesse dia, almoçámos no meio da serra. Ainda no sopé da serra encontramos um grupo de miúdas e rapazes que nos mandavam parar a pedir coisas… todos nós levávamos brindes, brinquedos, doces e até roupas… assim que parámos, vieram logo todos com aquele ar de quem já não come ou bebe à dias, o que não é o caso com certeza, e uma rapariga encostou-se um pouco mais e tentou tirar-me o telemóvel que estava meio saído no bolso… apercebi-me da situação e não gostei de todo, chamei-lhe à atenção e seguimos…

Mais tarde tornámos a passar por lá, enganámo-nos no caminho e lá estavam elas… nós já meio “entrados” dos Favaios matinais, decidimos deixar-lhes uma garrafa de sangria… Almoçámos e elas viam-nos cá de baixo, beberam a garrafa e conseguiram subir a serra, uma serra enorme… já no caminho, depois do almoço, elas aparecem do nada… bem, foi a risada total… nós já bem bebidos tivemos ainda mais um motivo de conversa para a tarde, e para o resto das férias ao som da música do Konna!! Diz-se que ficaram apaixonadas pelo condutor do Jeep!! 😉

O resto da tarde foi a andar por entre serras com destino a Agoudal, aliás o nosso destino inicial seria a famosa estrada das gargantas do Dades, que ficava no caminho, tínhamos visto aí um hotel fantástico… Perto da noite, surgiu-nos o primeiro imprevisto da viagem…

O Jeep de dois lugares do Né Andrade, que ia com a sua namorada a Maria João, ao passar numa “estrada” que de repente se pode transformar em rio, parou… O mecânico Bruno Gândara entrou em acção!! Andou a ver e não conseguiu detectar o problema, tivemos de rebocar o Jeep para uma estrada e aí começamos a ver o que se poderia ter passado. Nessa altura havia algum pânico no ar, veio ao pensamento de todos “como vamos sair daqui a rebocar o jeep?”… mas sempre com calma e serenidade e até com alguma brincadeira… nessa altura chegou a meter-se em causa se o mecânico não tinha feito de propósito só para mostrar serviço! 🙂 As dúvidas ainda ficaram maiores, quando o nosso cozinheiro de serviço, o grande Pisco decidiu espreitar para debaixo do Jeep e viu uma ficha desligada… ligou-a e o Jeep voltou a trabalhar!! 🙂

O alívio no condutor e da sua pendura como o de todos nós estava à vista, então para comemorar abrimos uma das garrafas de Porto e imagine-se que do meio do nada apareceu um homem!! Afinal não estávamos no fim do mundo!! 🙂

Chegámos a Agoudal já por volta das 21h, e lá encontrámos um hotel para dormir, que viria a revelar-se uma das nossas melhores noites, não pelas instalações ou pela comida, mas pelas pessoas que lá encontrámos. 🙂

Tomámos um banho (de água quase fria…), e por volta da 23h estávamos a jantar. A comida estava boa e o dono do hotel disse-nos que tinha uma surpresa reservada para nós! Como sempre levámos o vinho para o jantar, desta vez o gerente e o resto do staff também quiseram provar… Nós oferecemos vinho e eles em troca ofereceram para quem quissesse cannabis para fumar. Como eles não podem beber alcóol fumam erva regularmente para relaxar e dançar!!

Bom, por volta da 0h30 tinhamos as condições reunidas para aquela que viria a ser uma das noites mais engraçadas por Marrocos!!

Agoudal estava ao rubro!! O gerente contratou o melhor cantor e o melhor tocador de djembe da aldeia!!

Uma das coisas boas de Marrocos, tirando nas grandes cidades, é que a noite acaba cedo… Por volta da 0h20, no auge da noite, a banda tocava para nós e aí decidimos oferecer um pouco daquela que viria a tornar se a garrafa mais famosa a viagem!! A garrafa do Brandy… a única que foi cheia e regressou a Portugal ainda com líquido! Este “líquido dos deuses” oferecido à melhor banda de todos os tempos de Agoudal e a partir daí era “vê-los cair como tordos”… ver as caras deles a degustar esta maravilha é de rir, rir, rir… a noite tinha chegado ao fim e nós tínhamos de descansar, o dia seguinte iria ser longo, apreciando o lindo Atlas e as suas gentes…

Mas deixámos marcas em Agoudal!! 🙂

Agoudal acordava solarengo, e toda a malta, à hora combinada, estava a postos para tomar o pequeno almoço e arrancar.

Foi mais um dia por serras, desfrutando da magnífica paisagem, da paz e tranquilidade e sempre com muito convívio e brincadeira…

Por volta das 11h, parámos numa aldeia para beber um café e descansar um pouco as pernas… As pessoas são atenciosas e afáveis e tentam sempre ajudar-nos, muitas vezes a pensar em receber dinheiro, mas é a lei da vida! De seguida passámos pelas famosas “Grand Canyon” de Marrocos… que paisagem linda…

Por volta da hora de almoço entrámos na zona das Gargantas, primeiro na do Dades e mais tarde na de Todra, passando pela estrada mítica de curvas e apreciando a fabulosa paisagem e também pelo magnifico oásis de Dades… São dois desfiladeiros, com estrada e rio (na altura das chuvas), que impressionam pela sua altitude… Passámos por entre os dois, de jipe e a pé, realmente a natureza tem coisas extraordinárias. 🙂

Chegámos às gargantas do Todra a meio da tarde e ficámos boquiabertos com tanta beleza… as imagens falam por si…

Estamos em pleno Atlas a 1500m de altitude, o dia já ia longo mas ainda tinhamos de ir dormir a Merzouga…

Eram 17h, tinha falado com o Abdu, que combinou comigo estar na entrada de Arfoud durante a tarde. Nós de dia já não conseguiríamos estar lá e eu não tinha bateria no telemóvel… 3h depois entrávamos em Arfoud e lá estava o Adbu, perto das bombas à nossa espera… quando viu os jipes foi para a estrada e parámos todos… ele iria estar connosco três dias e iria mostrar-nos o deserto de uma forma um pouco diferente…

Chegámos ao deserto já depois das 20h, tinhamos de procurar um hotel para ficarmos. Depois de várias tentativas lá conseguimos um hotel, tomamos um banho e fomos jantar por volta das 22h… o Abdu conhecia bem os donos do hotel, ele dormiria lá para no dia seguinte começar a rota no deserto connosco. Jantámos, trocou-se vinho por cannabis para quem quis, e foi mais uma noite para nunca mais esquecer… foi uma das noites que nos deitámos mais tarde.

O Abdu ao início ficou chateado comigo, por causa da situação do hotel na primeira noite (250dirhams) e por não termos ido dormir ao hotel da estrada das gargantas… Como já tinha bebido um pouco demais, alterou-se um bocado, nós com as nossas calmas lá lhe explicámos que eu tinha marcado sempre sem compromisso, porque poderia haver problemas pelo caminho, como houveram, e era impossível para nós chegar ao hotel combinado a horas decentes… em relação aos 250dirhams, tal como prometido entreguei-lhe o dinheiro e tudo se resolveu… os marroquinos são negociantes natos, temos sempre de tentar conseguir estabelecer um acordo justo e nisso eles são sem dúvida abertos ao negócio…

Nessa noite tivemos uma baixa de última hora, o meu colega de quarto… até a dormir, dorme com estilo!! Pé e mão de fora!!

Mas a meio da noite fez-se luz… de Agoudal… o Abdu estava muito nervoso e precisava de um calmante, nada melhor que a nossa companheira garrafa de Brandy para o acalmar, mas nem ele conseguiu acabar com ela…

Para quem não sabe esta era uma das luzes da entrada do hotel de Agoudal…

No outro dia de manhã, às 9h tivemos de ir acordar o nosso guia… imaginem como não foi a noite!! Acordámos no deserto, em frente tínhamos as dunas e também um longo e emocionante dia…

Já tinham passado 4dias desta nossa aventura, parece que tinha começado ontem… o Atlas é um lugar fantástico de pessoas humildes e de trabalho, muito com a ajuda dos seus burros, o animal mais famoso e trabalhador de Marrocos… e de paisagens de cortar a respiração, mas o deserto tem outro encanto…

O Abdu acordou, contávamos com ele como guia nas dunas e ele não nos desiludiu… 🙂

Saímos por volta das 9h da manhã em direcção a uma aldeia nómada que nos revelou os seus costumes e tradições, por falar em tradições, o chá é bebido em Marrocos e nos países árabes em geral como nós bebemos o café, só que o nosso corpo não está habituado à água deles e muita das vezes não aguenta, causando náuseas, vómitos e diarreia, que foi o que aconteceu a várias pessoas, mas em especial ao André, o pendura do jipe Toyota, que andou no dia seguinte literalmente com os calções nas mãos, talvez por ter bebido um chá na aldeia… 🙁

É um cuidado que devemos ter, mas que por vezes não é fácil escapar!!

Aldeia visitada, seguimos para outra aldeia nómada perto da fronteira com a Argélia, e entrámos nas dunas!!

Demos uma volta em torno da grande Duna e entrámos!!

Era tempo de aproveitar as dunas com os jipes. O Abdu ia dando as coordenadas e o pessoal subia e descia as dunas, umas maiores outras mais pequenas. Apesar de não ser apreciador de todo-o-terreno, e ter ido numa da aventura e da amizade, tenho de concordar que a adrenalina é grande nas dunas… o incerto do outro lado e a distância de quilómetros de areia são impressionantes… a realidade é que Marrocos é o paraíso para os amantes de todo o terreno, tem pistas impressionantes, um deserto mágico e ainda não tinha visto tudo!! A manhã foi passada a subir e descer dunas, quando nós estávamos perdidos no meio das dunas, o Abdu parava e subia a uma duna e via a direcção a seguir… chegámos a desconfiar-se ele sabia o que andava a fazer!! 🙂

Aqui neste momento tivemos mais uma situação que se podia tornar mais complicada, o Abdu disse ao Bruno para subir uma parede numa duna, mas o jipe não subiu e com a força que levava bateu na parede e até levantou de traseira… partiu um pouco o pára-choques mas mais nada de especial… nestes momentos, deve ser difícil para um amante de todo-o-terreno, conseguir conter a adrenalina e pensar que está tão longe de casa e quer levar o seu carro direitinho novamente de volta!!! Tudo se resolveu naturalmente mais uma vez!

Depois de mais 4h no deserto chegávamos finalmente ao Oásis… O Oásis Merzouga é um lugar lindo no meio do deserto, as palavras sobrepõem-se a tanta beleza… ele fica localizado por detrás da grande Duna e foi lá que almoçámos…

Foi mais uma vez aqui que a equipa da cozinha entrou em acção, liderada pelo cozinheiro Pisco e neste dia com o ajudante Filipe, ambos do jipe do Bruno… O dupla fez um bacalhau com batatas a murro em pleno deserto!! Acendemos uma fogueira e almoçámos esta maravilha em pleno deserto regado com um excelente vinho!!

A tarde já ia longa mas as emoções ainda iam só a meio, esta era a noite que iríamos dormir no deserto, saímos do Oásis e fomos em direcção a Merzouga, lá apanhámos boleia novamente para o deserto, numa viagem de cerca de 1h30m de dromedário, vimos o pôr-do-sol e chegámos já de noite ao acampamento.

Pelo caminho tivémos um pequeno percalço, mas que foi resolvido facilmente, o Konna teve de parar para esvaziar a vasilha porque o dromedário já não aguentava mais com tanto peso! 🙂

O jantar foi servido em pleno acampamento e iríamos dormir em tendas com colchões e sacos cama… Mais uma vez, comemos o típico tajine, que é o prato mais comido em Marrocos. Basicamente é o nome da panela, feita de barro cozido envernizado, sendo que também pode ser pintado. A tajine ou tagine, é uma panela que resiste a altas temperaturas, serve para cozinhar directamente, até porque também a sua tampa, em forma de cone, faz com que o vapor não saia e volte para o fundo da panela. A base é depois levada para a mesa para servir o cozinhado. Os pratos confeccionados nas tajines são feitos a baixas temperaturas, conseguindo com que as carnes fiquem mais macias e tenras, nós provámos o de frango, de carneiro, de legumes e o de almondegas… e estavam todos deliciosos!!

Depois da refeição, o Adbu e os seus amigos tocaram para nós músicas tipícas do deserto e fizeram uma enorme fogueira no meio, mas antes tivemos uma actuação de um grupo que começa agora a dar os primeiros passos no deserto.. o Mox e o Clássico, diz-se que podem vir a chamar-se os Moca!!!! 🙂

Ao lado existia outra festa,c om mais pessoas, e nós levámos o vinho e fomos até lá… entrámos e havia uma fogueira no meio, estava uma banda nómada a tocar e a dançar e muitas pessoas a dançar de volta da fogueira… ficámos por ali a apreciar, a beber e a dançar… mas a festa acabou cedo…

O Abdu convidou-nos para irmos para outra fogueira ali ao lado, onde ele tinha dois amigos que tinham um rádio com músicas e íamos para lá ouvir… o melhor estava por vir… ficámos os quatro do Jeep e o Pisco, sentámos-nos em colchões no meio da areia a olhar para as estrelas, ainda mal nos tínhamos apercebido o que estava a nossa volta!! Para além de dromedários com fartura, estavam também os seus dejectos por toda a parte… 🙁

Contámos anedotas, rimos, mas o auge da noite foi quando o colega do Abdu foi buscar um dromedário para ao pé de nós, de um branco lindo, e nós andamos a tirar fotos com ele e ainda melhor, já mais ao fim da noite, por volta da meia noite, o colega do Abdu a beber vinho por uma lata de Pringles que tinhamos acabado de comer e metido para a fogueira!!! Ele a dançar na areia é uma imagem que nunca me sairá da cabeça!! No fim da noite, já tudo mais calmo, silencioso, ver as estrelas no deserto e poder estar ali a comtemplar o momento, é sem dúvida inesquecível… Lá fomos nós descansar por volta da 1h da manhã, no outro dia teríamos que levantar às 5h para voltar de dromedário para Merzouga e apreciar o nascer do sol… que momento!!

A viagem de regresso apesar de cansativa, foi inesquecível, o deserto estava a ser uma experiência única e ainda tinhamos muito para ver!!

O dia seguinte era reservado a estarmos um pouco mais relaxados, o que já se tornava necessário ao fim de, já quase, 2500kms de jipe…

Vimos o amanhecer e o Adbu levou-nos pela manhã a Arfoud, a uma loja de um irmão, para que se quissessemos fazer compras e ajudar o irmão… é uma situação normal no turismo, seja em Marrocos ou qualquer outra parte do mundo… Lá fomos nós fazer a vontade ao rapaz!! 🙂

Tinhamos já deixado as malas no Aubergue do Sud, o hotel mais famoso de Merzouga, onde iriamos passar parte da tarde e noite em frente ao deserto novamente.

Seguimos para ver as famosas escadas Himmelstreppe, é um edifício isolado, uma escada com 52 degraus, e paredes com uma altura de 16 metros. O sol e a lua oferecem uma impressionante sombra que gira em torno da torre. No final da escada forma-se uma fenda vertical para a observação de fenómenos celestes e a seguir a Cidade de Orion, que é composta por sete torres representando a constelação de Orion. Em determinados dias, das torres pode-se ver a chuva de estrelas sobre o deserto. O principal objectivo desta instalação é representar na Terra a constelação tridimensional de Orion.

De seguida fomos visitar os poços de água do deserto e voltámos a meio da tarde para puder descansar e usufruir da piscina e dos serviços do Aubergue do Sud…

Jantámos à beira da piscina e com as dunas de Erg Chebbi na nossa frente… sem palavras!

No dia seguinte deixámos o deserto e fomos em direcção a Zagora. Por onde quer que passássemos haviam sempre crianças a mandar parar para pedir qualquer coisa e isso é uma coisa que qualquer pessoa que vá a Marrocos terá de se habituar…

Nessa manhã entrámos na pista mais fantástica de Marrocos, são kms e kms de pista sempre a direito e onde fomos os três jipes uns ao lado dos outros a curtir a música do “Conan o homem rã”, sim porque essa não nos largou toda a viagem, aliás era todos os dias a nossa alvorada matinal dentro dos jipes!

Almoçamos a meio da pista e aí bebemos pela segunda vez um gin tónico preparado pelo Né!

A comida foi sempre excelente, mas até agora ainda não tinha falado do pão que compravamos todos os dias e era delicioso!! Aquele pão árabe a forno de lenha é divinal!! 🙂

Marrocos é um país fantástico!! Podes estar em pleno deserto, olhas à tua volta e não vês nada a não ser serras ao fundo, lá bem ao fundo… e de repente aparece-te uma mota com dois rapazes do nada!! 🙂

Seguimos em direcção a Zagora, onde chegámos por volta da 16h… Estava calor e fomos usufruir um pouco da piscina e foi aí que “Konna” se revelou o homem rã!!!! 🙂 O Né começou na brincadeira a ver quem passava a piscina que era comprida de um lado ao outro, quem não conseguisse pagaria o jantar… o Filipe safou-se, muito à rasca, o Né, antigo atleta, parecia um peixe e do nada aparece o Konna, que não queria ir a piscina, mas ouviu falar em pagar um jantar… lá vinha ele preparado para saltar!! Saltou e só parou do outro lado da piscina como se nada fosse!!! Grande “Konna o Homem Rã”!!! 🙂

Por falar em pagar jantares, a Maria João logo no segundo dia teve a brilhante ideia de dizer que quem fosse apanhado a meter lixo para o chão teria que pagar o jantar e apesar de sermos todos responsáveis, acabou por ser mais uma brincadeira útil para que andássemos todos mais atentos!!A única mulher do grupo ficou apelidada de Corajosa,nome que lhe assenta que nem uma luva, pois é realmente preciso ter coragem para uma aventura como esta e nestas condições e a Corajosa portou se lindamente!!Grande Maria!!! 🙂

Por Zagora existem vários mecânicos que esperam as pessoas ao fundo da pista e andam a ver se alguém tem problemas mecânicos, onde aproveitámos e levámos os jipes à lavagem… grande profissionalismo no meio de tanta desorganização!!! Foi também em Zagora que ao chegarmos ao hotel, um rapaz fotografou o nosso logotipo que estava colado nos jipes e passado meia hora tinha pratos pintados à mão para vender!!! Fartou se de fazer negócio!! 🙂

No dia seguinte seguimos em direcção a Ouarzazate onde íamos ver um estúdio de cinema… Ouarzazate na linguagem do povo berbere significa “sem barulho” ou “sem confusão”, é maior cidade do saara marroquino, conhecida como “a porta do deserto”. A cidade impressiona não só por suas construções, como também por um facto bastante curioso: ela é conhecida como a Hollywood do deserto, concentrando alguns dos mais famosos estúdios da região, alguns dos quais abertos à visita. Podemos ver de perto os cenários de filmes como: Ali Baba e os 40 Ladrões, Gladiador, Asterix e Obelix: Missão Cleópatra, Lawrance da Arábia, CléopatraNós visitámos o CLA studios, onde foi filmado parte do filme Ali Baba e os 40 ladrões e algumas cenas do filme Guerra dos Tronos, Ben Hur, Prometheus, Kingdom of Heaven, A Múmia , Asterix e Obelix e muitos mais!!

Fizemos uma visita guiada às instalações e ao Castelo, palco dos melhores filmes filmados em Marrocos… Muito bom para os apreciadores de cimena!!

Os cenários naturais são lindos!!

Seguimos em direcção a Marraquexe, por volta das 16h estávamos no alto Atlas a cerca de 2000m de altitude, preparados para comprar as pedras “preciosas” vendidas por lá… O frio por lá é tanto que os vendedores trocam os seus produtos por casacos, botas ou qualquer coisa que os proteja do frio!!!

Passadas 2h entrávamos em Marraquexe ao ínicio da noite, uma cidade louca e que chegou a não estar prevista na nossa rota… Apesar da confusão inicial da cidade e do facto de termos de procurar um hotel para dormir, a noite foi inesquecível…

Procurámos em dois hotéis todos eles sem vaga, até que do nada um homem apercebeu-se e perguntou se estavamos à procura de dormida, e logo prontamente nos levou para um hotel porreiro perto de tudo..e lá fomos nós!! De salientar que, na parte norte de Marrocos falam um pouco de espanhol e francês, mas aqui já se fala também inglês.

Tomámos um banho e vestimos-nos a preceito para a noite de Marraquexe, a minha mala tinha tanto pó que até repassou para dentro e eu já não tinha uma t-shirt lavada!! Ficámos em quartos duplos e o meu parceiro de quarto e meu companheiro no banco de trás do jeep Wrangler desenrascou-me!!! Saímos todos para jantar na praça mais famosa de Marrocos, a Praça Jamaa El Fna!

Fomos todos de táxi, acordámos um preço com os taxistas, mas mesmo assim quando chegámos havia divergências nos preços entre os taxistas!! É o salve-se quem puder! Depois de uma semana tranquila, chegávamos ao perigo, onde o negócio rola a uma velocidade mágica, onde o caos se instala, onde tens de andar sempre atento ao que se passa à tua volta…

Jantámos num dos muitos restaurantes com vista para a praça e no fim fomos explorar a praça… onde existem barracas com comida tradicional a cada canto e vendedores de tudo sempre a abordarem-nos… O tipo de venda efetuada ali é na maior parte dos países norte africanos, e é uma venda feita por vezes de saturação!!! Mas dá venda… e temos um exemplo, um homem abordou o Bruno toda a praça, o Bruno só dizia “não quero”, disse-o mais de 50 vezes, até que ele ia descendo o preço… estava a vender um djambe… tanto falou, porque entretanto metem conversa sobre outros assuntos e vão entrando na tua vida… chegou a um ponto que estávamos quase todos juntos, começámos na brincadeira com ele, e ele acabou por vender uns 5 djambes baixando um pouco mais o preço… Este tipo de venda directa fascina-me bastante, pessoas sem formação em vendas conseguirem convencer-te a comprares algo sem violência ou medo não é para todos!! É a lei da sobrevivência, eles precisam de vender para comer e manter as suas casas!! Um vendedor da velha guarda marroquina!!

Eu gosto do barulho, gosto da confusão, de apreciar as pessoas… por isso gostei de Marraquexe… 🙂

Depois da praça fomos beber um copo a uns bares, onde já se nota cultura europeia misturada com árabe… com respeito pelo próximo passámos mais uma agradável noite… outro andamento!!

Marraquexe amanhecia e nós partíamos, com direcção a Casablanca onde iríamos passar por fora da cidade… Já tinha estado lá em 2011 e gostei da cidade e da mesquita Hassan II, o templo mais alto do mundo e a segunda maior mesquita, mas isso fica para outro artigo…

Almoçamos já à beira mar em direcção a Tanger, neste dia fizémos cerca de 500kms e ao início da noite estávamos de volta ao barco!!

Uma semana tinha passado, jantámos por lá, e depois de muita burocracia e vistoria passamos o barco e chegámos a Algeciras quase ás 5h da manhã… Dia bastante cansativo…

Bem, do lado de cá, por volta das 5h… às 14h já estávamos onde começamos as nossas férias novamente a almoçar… Restaurante As Medas!!

Foi uma semana em grande, com grandes amigos, grandes aventuras, as conclusões que tiro desta viagem é que Marrocos é um paraíso natural para os amantes de todo-o-terreno, e um país onde as pessoas não vivem assim tão mal como por vezes se deixa transparecer. Os acessos são muito bons e existe muito investimento estrangeiro em produção fabril devido a mão de obra ser mais acessível. O turismo está em franco crescimento, não só o turismo do todo-o-terreno, mas o turismo em geral.

Hoje podemos descer em Marraquexe, e passados dois dias estarmos a dormir no meio do deserto por um preço acessível a quase todos…

Este é o meu olhar sobre Marrocos!

Visite Marrocos de qualquer forma!!

Os nossos amigos Rita e João Leitão cuidarão de si da melhor forma!!

http://www.marrocos.com/

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E o nosso guia também:

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