Ponte de Lima e Viana do Castelo

Ponte de Lima e Viana do Castelo

10 Agosto, 2017 0 Por Vitor Martins

Em Agosto de 2017 fomos mostrar a linda vila de Ponte de Lima e um pouco de Viana do Castelo aos nossos dois filhos… Nós, já por lá tínhamos estado várias vezes, mas Ponte de Lima é especial, por isso tínhamos de voltar. 🙂

É uma das mais antigas vilas de Portugal, data de 4 de Março de 1125!! Localidade muito importante desde a era Romana, possuiu um Palácio da Corte do Reino de Leão, documentado por achados arqueológicos e outros documentos escritos. Foi a Condessa D. Teresa de Leão quem, na longínqua data de 4 de Março de 1125, outorgou carta de foral à vila, referindo-se à mesma como Terra de Ponte. Anos mais tarde, já no século XIV, D. Pedro I, atendendo à posição geo-estratégica de Ponte de Lima, mandou muralhá-la, pelo que o resultado final foi o de um burgo medieval cercado de muralhas e nove torres, das quais ainda restam duas, e vários vestígios das restantes e de toda a estrutura defensiva de então, fazendo-se o acesso à vila através de seis portas.

A ponte, que deu nome a esta nobre terra, adquiriu sempre uma importância de grande significado em todo o Alto Minho, atendendo a ser a única passagem segura do Rio Lima, em toda a sua extensão, até aos finais da Idade Média. A primitiva foi construída pelos romanos, da qual ainda resta um troço significativo na margem direita do Lima, sendo a medieval um marco notável da arquitectura, havendo muito poucos exemplos que se lhe comparem na altivez, beleza e equilíbrio do seu todo. Referência obrigatória em roteiros, guias e mapas, muitos deles antigos, que descrevem a passagem por ela de milhares de peregrinos que demandavam a Santiago de Compostela e que ainda nos dias de hoje a transpõem com a mesma finalidade.

A partir do século XVIII a expansão urbana surge e com ela o início da destruição da muralha que abraçava a vila. Começa a prosperar, por todo o concelho de Ponte de Lima, a opulência das casas senhoriais que a nobreza da época se encarregou de disseminar. Ao longo dos tempos, Ponte de Lima foi, assim, somando à sua beleza natural magníficas fachadas góticas, maneiristas, barrocas, neoclássicas e oitocentistas, aumentando significativamente o valor histórico, cultural e arquitectónico deste património único em todo o Portugal.

Chegámos por volta da hora de almoço, num dia bastante caloroso de Agosto, fomos dar um passeio pelas ruas da vila para nos abrir o apetite…

A vila é pequena e tem no Rio Lima e a sua lindíssima ponte como que a sua imagem de marca, e nós tínhamos de ir apreciar essa tão linda paisagem ao almoço.

Decidimos entrar num restaurante com vista para o Rio Lima,  e degustar o famoso arroz de sarrabulho, que na nossa zona é completamente diferente…

O património gastronómico alto-minhoto é riquíssimo em variedade e em qualidade, esse património encontra em Ponte de Lima um dos locais de mais significativa expressão, nomeadamente com o Arroz de Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima. O louro, o cravinho, a noz-moscada, o sal e a pimenta temperam as carnes que, depois de cozinhadas e desfiadas, se juntam ao arroz e algumas castanhas. O sabor singular dos cominhos é acrescentado no fim. O porco é rei, desde a perna do porco às belouras, do chouriço verde às farinhotas e outras delícias e aromas de deixar água na boca.

Como não podia deixar de ser, para acompanhar este delicioso prato, tínhamos de beber o vinho verde tão característico desta região.
Foi uma refeição deliciosa, mas tínhamos de partir, Viana do Castelo esperava por nós.. Foi pelo caminho para Viana do Castelo que nos apercebemos que afinal em Portugal, havia um lugar com calor tórrido!!! Dava para fazer um churrasco… 😀
Saímos rápido daquele lugar e num ápice estávamos no Elevador ou Funicular de Santa Luzia..
Vencendo um desnível de 160 metros, em seis a sete minutos, a viagem no Funicular de Santa Luzia é a mais longa de todos os funiculares do país, com os seus 650 metros, tendo mais do dobro da distância do que se lhe segue, o da Nazaré (com 310 metros), havendo ainda em Lisboa o da Bica (283 metros), o da Glória (276 metros) e da Lavra (188 metros) e em Braga, o do Bom Jesus, com apenas 274 metros. A lotação é de 24 passageiros, doze sentados e doze em pé, e, reduzindo estes, podem ser transportadas pessoas em cadeiras de rodas, carros de bebés e duas bicicletas.
Por aqui já tínhamos estado por três vezes, mas nunca subimos pelo funicular… hoje com as crianças era o dia perfeito… 🙂
Esperámos que chegasse o nosso horário, e lá subimos até ao alto… O monte de Santa Luzia esperava por nós, daqui podemos avistar a magnífica cidade de Viana do Castelo e o Oceano Atlântico.
Aqui voltamos a encontrar o lindo Rio Lima, que depois de 108 quilómetros aqui vem desaguar…
É cá bem no alto, que se encontra  “ex-libris” e cartão-de-visita da cidade de Viana do Castelo, o Santuário de Santa Luzia, e tem uma história bastante curiosa… Ele foi principiado em 1904, e concluído em 1959, por iniciativa da Confraria de Santa Luzia, entidade que tutela o monumento. A sua instituição deve-se ao Capitão de Cavalaria Luís de Andrade e Sousa que, acometido de uma grave oftalmologia, ter recorrido à extinta capela de Santa Luzia, advogada da vista, como forma de gratificar a graça recebida.
Já convalescido, institui a Confraria de Santa Luzia, como forma de gratificar a graça recebida…
Podemos subir à cúpula do Templo, e daí, ainda temos uma vista mais fantástica da cidade, do rio e do mar… Hoje não subimos, porque o Pedro ainda é pequeno, e as escadas de acesso ao topo, são difíceis de subir. São cerca de 40m de escadas até ao topo, já o tínhamos feito da última vez que cá tínhamos estado. Desta vez entrámos no Templo e descansámos um pouco.
Ao fim da tarde, saímos de Viana do Castelo em direcção a Valença onde íamos passar a noite…
Cada vez que passamos por aqui, encontramos um fotógrafo com umas das máquinas antigas, que vai chamando as pessoas para tirarem fotografias, o que dá ao lugar ainda mais mística… 🙂
Nós, adeptos das novas tecnologias, lá continuamos com as “selfies”… 😉