Munique –  Alemanha

Munique – Alemanha

23 Junho, 2018 7 Por Vitor Martins

O grande dia chegou… Saímos de casa por volta das 02h da manhã, com os nossos filhos ainda ensonados, para uma viagem de cerca de duas horas até Lisboa.

Chegámos por volta das 04h30, tínhamos voo às 06h, e quando chegámos lá, tínhamos a easyParking à nossa espera!

Depois de entregarmos o nosso carro, ao nosso parceiro de confiança, seguimos para rumar a Munique.

Sempre com boa disposição, lá rumamos nós até Munique, onde já tinha estado em Janeiro de 2010.

Tinha prometido ao Vítor, que o levaria ao Estádio Allianz Arena, e foi para lá que seguimos directos.

Chegar aqui, fez-me recuar oito anos e meio, e pensar, quanta coisa mudou nas nossas vidas e recordar aquela fantástica noite de futebol que vivemos aqui, com um frio e uma camada de neve enorme.

Hoje, fomos visitar o museu, o tempo era curto e queríamos explorar um pouco da cidade.

Começamos por ver um dos seus 28 títulos de Campeão Nacional de Futebol, e depois passamos pela zona de homenagem a um grande campeão, Lahm, um jogador que fez toda a sua carreira no Bayern Munique e que conta com 517 jogos no clube.

Passamos de seguida, pela zona de Franz Beckenbauer, o maior ídolo do clube. Conta com mais de 500 jogos, com três Ligas dos Campeões, quatro Campeonatos Nacionais e já foi campeão mundial como jogador e técnico e até já foi presidente deste tão grande clube. Que história impressionante.

De seguida passamos num dos lugares mais importantes da história recente do Bayern, na época 2012/2013 o clube conseguiu ganhar todas as competições que este envolvido, liderado pelo enorme treinador, Jupp Heynckes.

Estava a ser uma visita emocionante, o Vítor estava impressionado, era a segunda vez que estava dentro de um museu de um dos maiores e melhores clubes mundiais.

O museu tem uma zona fantástica para as crianças brincarem um pouco, e foi o que o Vítor fez, enquanto eu, explorei mais um pouco o museu.

O tempo era curto, e nós tínhamos a Ana e o Pedro lá fora à nossa espera, para fazermos um tour a pé pela cidade.

A manhã tinha passado depressa demais, era hora de partir para o centro da cidade. A fome já apertava e o Vítor queria provar as famosas salsichas alemãs!!

Meia hora depois, chegávamos a Marienplatz, a praça mais importante de Munique.

A fome apertava, decidimos então ir comer uma grande salsicha grelhada!

Estava maravilhosa, assim como a sobremesa, um strudel de maçã…

Estamos no Verão, as ruas estão cheias de gente, existe animação de rua por todo o lado, no Inverno tudo era diferente, o frio, a neve, fazia com que as pessoas não se vissem tanto na rua. O Vítor queria digerir a salsicha e lá foi ele divertir-se um pouco… 😀

A Marienplatz, ou traduzido para português, Praça de Maria, é uma das mais importantes da cidade e fica no centro histórico, o que a torna uma das mais movimentadas, e um dos grandes pontos turísticos. Uma de suas atracções é o prédio da câmara Municipal, a Neues Rathaus, a qual tem uma torre de relógio onde um carrilhão de bonecos fazem uma apresentação em certos horários do dia, como podemos observar pelas 17h… É realmente um espectáculo único, onde ao som de uma música tradicional, os bonequinhos dançam em volta do relógio.

A praça tem uma energia vibrante! Não só por toda a agitação que a cerca com sua grande infraestrutura de lojas, restaurantes, cafés, unindo o passado com o presente, como também pelo que mais gostamos de apreciar num país, as pessoas. Aqui elas estão quase sempre do mesma forma, paradas, em pé, a olhar  para o relógio. Não importava a hora do dia! Isso é muito engraçado, pois o relógio só toca três vezes por dia, 11h, 12h e 17h, e mesmo que não fossem em horas certas tipo 13:23 é que não ia tocar mesmo!! 😀 Mas o dia inteiro as pessoas esperam ansiosamente, e ouvíamos os comentários em várias línguas: “I’ts broken”; “kaput”, “quebrou” ou “está estragado”… 😀

A praça tem uma mística super interessante, que não tinha vivido da primeira vez que por aqui tinha estado. O frio era muito e as pessoas muito poucas, e não deu para sentir a vibração das pessoas numa praça tão importante como esta.

Por aqui ficamos mais um pouco a descansar ao lado de uma linda fonte num dos cantos da praça e a observar a linda câmara municipal em frente, que foi construída no século XIV. Estávamos a começar a testar a paciência dos nossos filhos e a nossa resistência.

A nossa próxima paragem seria a não menos importante Catedral de Munique, a Frauenkirche!! É a maior igreja da capital bávara e está localizada no centro da cidade na “Frauenplatz”, a catedral católica é um sinal importante e uma atracção turística popular na cidade. Hoje, a catedral domina o centro da cidade e suas torres podem ser vistas de todas as posições. O município proibiu a construção de qualquer estrutura superior a 100 metros nas proximidades da catedral. É possível subir a torre sul que oferece uma vista panorâmica da cidade e das montanhas.

Nós não subimos ao cimo da torre, uma delas encontra-se em obras e não era possível subir, mas o seu interior é magnífico.

Depois de mais um pouco de descanso, caminhámos novamente em direcção à Marienplatz e depois até Odeonplatz.

Esta praça é também um lugar muito importante na cidade, foi encomendada pelo rei Luis I da Baviera, após a demolição das fortificações da cidade no século 18. A praça tem aparência italiana, o que se deve muito à Feldherrnhalle, uma construção imponente com três arcos que é a cópia da Piazza della Signoria de Florença.

Na história recente, a Odeonsplatz ficou marcada por importantes acontecimentos antes e durante a II Guerra Mundial. A praça era um dos lugares preferidos de Hitler para os seus discursos. Antes disso, em 1923, foi ali que Hitler entrou em confronto com a polícia e foi preso, onde escreveu Mein Kampf. Antes ainda, em 1914, num comício para celebrar a declaração da I Guerra Mundial, identificou-se a figura de Hitler entre a população.

Mesmo ao lado, está a linda Theatinerkirche, uma igreja dedicada a São Caetano. É aqui o panteão da Baviera e aqui estão sepultados as mais importantes pessoas da Baviera.

Dali, fomos novamente em direção a Marienplatz, mas antes passámos pelo imponente e lindo Teatro Nacional de Munique.

Antes de regressarmos ao aeroporto, passamos por uma das ruas comerciais mais importantes de Munique, onde podemos apreciar as suas lojas e muitas bandas e artistas de rua, a mostrarem o seu trabalho à população!

O nosso dia por Munique tinha chegado ao fim, teríamos que apanhar um comboio até ao aeroporto novamente, que demora cerca de uma hora, e daí embarcarmos até Helsínquia.

Ao chegarmos ao aeroporto, tivemos o primeiro caso insólito em viagem. Eu costumo fumar uns cigarros, não é coisa que me orgulhe, nem que valha muito a pena falar, mas foi a partir daqui que a história começou. O clã foi entrando e eu fiquei no átrio, numa zona para fumadores, onde estava outro homem, bem apresentado e cuidado. Passados uns dois minutos de estarmos ali, ele abordou-me, num inglês um pouco confuso, dizendo me que estava ali a pedir dinheiro porque tinha um sonho… e o sonho dele era abrir um negócio na área da hotelaria, como não tinha dinheiro, decidiu começar a espalhar a ideia dele e pedir dinheiro às pessoas e juntar para montar o negócio.

Tudo aquilo me soou estranho, mas a forma convicta como falou, levou me a dar-lhe um valor simbólico, ao que ele me agradeceu dizendo: “muito pouco, faz muito..”

Não sei se é verdade ou não, mas o que é facto é que ele conseguiu, pedir algo de outra forma, e a lição a tirar no meu entender, é a de que, temos de ser genuínos naquilo que queremos e simples na forma de comunicar para conseguir cativar alguém com a nossa ideia. Ali fiquei eu mais um pouco a pensar e a observar aquele lindo átrio que me tinha abrigado da neve em 2010.

Embarcámos então, rumo a Helsínquia e era só mais uma viagem de avião, mas mais tarde nos iríamos aperceber que ela iria ser uma viagem de avião especial.

Chegaríamos a Helsínquia por volta da meia noite e ainda havia sol… Sinceramente nunca foi uma coisa que pensássemos ver, mas revelou-se uma das maiores surpresas em viagem.

Pois é, o sol não nos largou até chegarmos a Helsínquia, por aqui eram 23h40 e o sol estava a pôr-se…

O sol da meia-noite é um fenómeno natural observável ao norte do Circulo Polar Árctico e Antárctico 24h por dia, nas datas próximas ao solstício de verão. O número de dias do ano com sol de meia-noite é maior, quanto mais próximo se está do pólo. Uma vez que no Antárctico, não há habitações permanentes suficientemente próximos do pólo (salvo as bases antárcticas, habitadas por uns poucos cientistas e pessoal militar), as regiões povoadas que podem desfrutar deste fenómeno estão todas no hemisfério norte como e o caso da Finlândia. 🙂

Chegámos ao centro da cidade por volta da 01h30, sem sol mas de dia… Inesquecível! 😀

Tinha sido um dos dias mais longos das nossas vidas, um teste à resistência dos nossos dois filhos. Passaram 24h desde que saímos de casa, andamos de avião, carro, comboio e a pé num só dia, de grandes emoções. Todos tínhamos passado no teste, estávamos exaustos, mas muito felizes, por sermos uma família e por estarmos todos juntos…

O nosso filho mais novo portou-se como um homem, e o mais velho, já tem o gosto pelo conhecimento e descoberta. Nós, não podíamos estar mais felizes!!!! Daqui a pouco começa um novo dia e com ele novas aventuras e conhecimentos!!

Um “big five” a todos!