Varsóvia – Polónia

Varsóvia – Polónia

27 Setembro, 2018 19 Por Vitor Martins

Chegámos finalmente a Varsóvia, depois de quase nove horas de autocarro.

A viagem foi cansativa, mas chegámos ao hostel por volta da meia noite e ainda tivemos nova surpresa…  Tínhamos combinado, um quarto duplo com um berço, mas o quarto era no terceiro andar, sem elevador, e os responsáveis não se preocuparam minimamente com o berço. Àquela hora, já não existia ninguém na recepção, tivemos de dormir os quatro em duas camas que juntámos. 🙁

No dia seguinte acordámos cedo, com o céu bastante nublado, mas tínhamos de ir explorar a cidade. Seguimos a pé, em direcção ao centro, uma viagem de cerca de dois quilómetros.

Por aqui tudo estava tranquilo, era sábado de manhã, a maior parte das pessoas estavam a descansar.

Passámos por uma das muitas salas de ópera de Varsóvia, a Kameralna.

Daqui seguimos em direcção ao coração da cidade, com as crianças, sempre a pé.

A cidade tem centenas de igrejas, por aqui o povo é muito católico.

Como ainda era cedo, estas igrejas estavam fechadas e, chegámos finalmente ao coração da cidade!! Totalmente destruída pelos alemães, a Cidade Velha foi meticulosamente reconstruída, trazendo de volta a arquitectura centenária e colorida dos prédios do centro histórico. O resultado foi quase perfeito, o que trouxe a Varsóvia o título de Património Cultural e Natural Mundial, concedido pela Unesco.

Apesar do vento e do tempo chuvoso, chegámos à Praça do Castelo. Aqui, ficam, pelo menos, três importantes pontos turísticos da cidade: a Coluna Sigismundo, o Castelo Real e a Igreja de Santa Ana.

A coluna do Sigismundo, construída em 1644, é uma homenagem ao rei que fez de Varsóvia a capital nacional. Ela tem muito simbolismo para os polacos: dizem que, quando a espada de Sigismundo está erguida para o céu, o país está em paz e, quando toca o chão, é porque a Polónia vive seus piores dias. Assim foi quando os nazistas derrubaram a Coluna fazendo com que a estátua se misturasse aos destroços dos prédios ao seu redor.

As principais atracções da cidade mantêm vivas as lembranças de um país que sofreu com a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial e com o comunismo imposto pela extinta União Soviética.

O Castelo Real de Varsóvia é bem diferente daquele conceito que, muitas vezes, temos de castelo. Aqui, viveram os reis que governaram o país a partir do século XIV e, actualmente, ele é o maior símbolo da resistência e do poder de renovação deste povo.

A igreja de Santa Ana foi construída no século XV, mas com o passar dos anos foi sendo transformada e, hoje, é a mais bonita da cidade. O órgão e o altar com impressionantes detalhes no estilo barroco são, sem dúvida, os que mais impressionam.

Daqui seguimos até à linda praça do Mercado, esta praça também é um grande marco da reconstrução da cidade. Os prédios, que hoje vemos ao seu redor, foram completamente destruídos e, mais tarde, reerguidos para que Varsóvia voltasse a ser o que era antes da guerra. Aqui, no centro da Praça, fica o símbolo da cidade: uma sereia. Segundo a lenda contada pelos primeiros moradores de Varsóvia, Sawa era uma sereia que tinha sido salva pelo pescador Wars e, como agradecimento, ela prometeu que o protegeria para o resto da vida. Daí surgiu o nome da cidade: Warszawa, em polonês. Até o século XIX, era comum ouvir relatos de pessoas que viam Sawa nadando pelo Rio Vístula, mas, depois da Segunda Guerra Mundial, a sereia desapareceu e o que restou foi somente a sua bela história.

Daqui seguimos, para o outro lado do rio Vístula. Fomos visitar o moderno estádio nacional da Polónia, foi inaugurado em Janeiro de 2012 para receber alguns jogos do Euro 2012.

Hoje iria haver um concerto da famosa cantora Rihana e não podemos entrar no seu interior… Mais uma prova que “existem portugueses em todo o lado”, foi quando andávamos a passear nas imediações do estádio e aparecem duas pessoas, uma com a camisola do FCP e outra com a camisola da selecção nacional. Tínhamos que registar o momento!!

Duas pessoas muito simpáticas do norte do país, mas actualmente a trabalharem na Alemanha. Estivemos um pouco na conversa e seguimos novamente para o centro da cidade.

Daqui, decidimos ir a um mercado tradicional, a cerca de 10kms do centro.

Apesar de já ser um pouco tarde, passeámos pelas ruas estreitas tranquilamente, convivemos com os locais, degustamos as suas frutas e as suas doçarias típicas.

O dia já ia longo, hoje era dia de ir ver o jogo de futebol da nossa selecção. Nada melhor que ir a um supermercado português e comprar comida e bebida para poder assistir ao jogo de barriga mais composta! Hoje era dia de jogo da nossa selecção nacional! 😀

Por aqui a “Biedronka” do Grupo Jerónimo Martins, domina, tendo cerca de 2800 lojas espalhadas por toda a Polónia. É de facto, impressionante!

Assistimos então ao jogo, ao lado de Ingleses, Polacos, Franceses e Holandeses, que, como Portugal estava a jogar contra o Chile, torciam por Portugal. 🙂

O resultado não foi o esperado, estávamos todos cansados, depois de um dia em grande, e de ter andado a correr o jogo todo atrás do Pedro!! Mesmo assim, eu e o Vitor, ainda fomos dar um passeio pelas imediações do hotel. Impressionante o silêncio que se fazia sentir por volta da 0h de um sábado à noite no bairro onde estávamos…

Chegou o último dia das nossas férias! Tínhamos o dia todo para explorar ainda mais a cidade e mais à noite teríamos voo, via Viena, até Lisboa.

Por aqui no Verão, os gelados começam a vender-se muito cedo! Ao lado, estava um miúdo a tocar acordeão, um das dezenas espalhados pelas praças. Por aqui existe um rede montada, à vista de todos, de exploração infantil. Eles estão a tocar, o turista deixa moedas e passado um tempo, passa o “patrão” e recolhe as moedas de todos como, infelizmente, observámos. 🙁

É bom para as crianças, privilegiadas (como consideramos as nossas), observarem com os seus próprios olhos… O Vítor ficou chocado!

Seguimos então para um dos locais mais fantásticos que estivemos, o Museu Wojska Polskiego. O museu documenta os aspectos militares da história da Polónia. Criado em 1920, ocupa uma ala do edifício do Museu Nacional Polaco. É o segundo maior museu de Varsóvia e a maior colecção de objectos militares da Polónia. Nós fomos ver os aviões! 🙂

Ainda um pouco traumatizados com a segunda guerra mundial, os polacos detêm um arsenal bélico enorme.

Daqui seguimos para o Palácio da Cultura e Ciência, não sem antes termos assistido a um casamento no mínimo original. Não o acto em si, mas o meio de transporte que usaram para ir da igreja até ao restaurante… Lindo! 🙂

Em altura de Mundial de Futebol, em frente ao Palácio existia um ecrã gigante, com cadeiras e espaços para as crianças brincarem. Foi para lá que fomos um pouco!

Depois de algumas horas de brincadeira, subimos ao cimo da torre!

Por aqui, é bastante fácil de subir. Um elevador super rápido eleva-nos a cerca de 200m num instante.

Daqui avistamos a cidade inteira, esta é a parte mais recente da cidade.

As vistas aqui de cima são fantásticas, mas tínhamos de ir embora. Ainda passámos em frente ao Teatro, onde estava a decorrer uma peça ao ar livre bastante original.

Apanhámos o autocarro e seguimos para o centro da cidade novamente.

Chegámos à Igreja de São José!

Por aqui estava uma singela homenagem a Janusz Korczak, médico de profissão, que dedicou parte da sua vida a um orfanato de judeus, e quando chegou a hora de eles partirem, foi com eles até ao fim… 🙁

No dia 5 de Agosto de 1942, o Gueto preparava-se para mais uma chacina, desta vez eram cerca de 200 crianças do orfanato que Janusz liderava. O médico, pediu às crianças que fizessem as malas, mandou-lhes vestir as melhores roupas e seguiram para o extermínio. Perto da entrada, teve oportunidade de escapar, mas não o fez, partiu com eles. Que lição de vida arrepiante… 🙁

Estava a decorrer uma missa e fomos descansar um pouco… Seguimos na rua, onde passamos por Charles Gaulle, um grande lutador contra o regime nazi.

Na rua central da cidade existem bancos muito originais!! Podemos descansar neles, ouvindo grandes músicas de Frédéric François Chopin, também chamado Fryderyk Franciszek Chopin, um pianista polonês-francês radicado na França e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história. Esta cidade respira Chopin! 😀

Já a meio da tarde, fomos degustar uma iguaria típica de Varsóvia. 🙂

Passámos ainda pela zona das Universidades, aqui a magnífica Academia de Ciências.

Era chegada a hora de voltar ao hotel, pegar nas malas e ir até ao aeroporto, mas ainda passámos pelo Gueto…

A Polónia foi o país que mais sofreu com a Segunda Guerra Mundial. Mais de seis milhões de polacos morreram no conflito, entre 1939 e 1945. A maioria, homens e mulheres comuns, nada tinha a ver com o conflito ideológico que motivou os ataques e a ocupação do país. E, para quem está pensar conhecer a Polónia, visitar um dos maiores símbolos dessa trágica história, o Gueto de Varsóvia, é indispensável.

A vida dos judeus valia muito pouco, ou simplesmente nada, para a ideologia nazi. Mas, como sabemos, outros grupos também foram perseguidos por Hitler. O pacote de maldades incluía eslavos, negros, ciganos, gays e Testemunhas de Jeová, mas, entre as minorias, os judeus eram a maioria. No Gueto de Varsóvia eles eram unanimidade.

Passar por aqui, é marcante! Entretanto para desanuviar um pouco fomos apreciar arte urbana tão em voga neste momento.

Impressionante! 😀

A nossa viagem estava a chegar ao fim, faltava a última etapa, a viagem de regresso. Chegámos ao aeroporto atempadamente, mas o voo Varsóvia-Viena atrasou em cerca de uma hora. O tempo de espera do voo Viena-Lisboa era de 1h20m…

Já em stress, saímos de Varsóvia e chegamos dez minutos antes do voo para Lisboa partir… Corremos, corremos, corremos, e chegámos mesmo em cima da hora de embarcar!!!

Realmente uma hora e vinte minutos de espera pode tornar-se muito pouco tempo… 🙁

Aqui estávamos já dentro do avião para Lisboa!!

Ate já Lisboa! <3